Perfeição - Legião Urbana

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.


Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.


Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.


Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.


Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

18th March 2012

Post

Massacre de Pinheirinhos

            A recente desocupação realizada pela Polícia Militar no bairro de Pinheirinhos em São José dos Campos – São Paulo foi uma demonstração clara do tipo de governantes que regem nosso país. Ela trouxe à tona uma antiga questão mal resolvida no Brasil, a boa e igual distribuição de terras, que demonstra e exemplifica claramente mais uma vez o tipo de nação que somos, uma nação elitista.

            O começo de toda essa atroz desocupação veio há 30 anos quando os donos desse um milhão de metros quadrados, um casal de imigrantes alemãs, foi misteriosamente assassinado sem deixar nenhum herdeiro. O caso até hoje não foi selecionado, entretanto o mais intrigante aqui não se dá em saber quem os matou e porque, mas sim no fato de descobrir como um território do Estado foi parar entre os territórios da empresa de Nahas. Existe, porém controvérsias a esse fato, Nahas afirma que comprou o território do Estado, mas como alguns bem sabem a sua ficha pode claramente contrapor a isso. Naji Nahas foi preso em 2008 por lavagem de dinheiro.

            Vendida, dada, transferida ou comprada, o que importa saber é que essa terra faliu nos anos 90, passando de um território industrial a um terreno baldio. Em 2004, após um acordo com o governo de são José dos Campos, cerca de 300 famílias se mudaram para Pinheirinhos. O acordo dizia que essas famílias poderiam ocupar o terreno que quisessem contanto que não invadissem territórios públicos.

            A partir desse ingresso em Pinheirinhos, começou a briga na justiça entre os moradores e a empresa de Naji Nahas. Entre vitórias e derrotas os moradores continuaram vivendo em suas “casas”. Desde o primeiro momento de ocupação irregular já se falava em “reintegração de posse”, no entanto era difícil ouvir alguém propondo alguma solução em que visasse à melhoria das condições de moradia para essas pessoas. A situação era tão crítica que em 2005 o prefeito Eduardo Cury chegou a cortar o abastecimento de água e de luz no bairro Pinheirinhos, estava clara a posição governo, aquele território era para se especular.

            Uma aparente vitória veio em 2011, quando a justiça liberou a criação de um conjunto habitacional ali mesmo no território do Pinheirinhos, realmente essa conquista foi só aparente, porque em 22 de Janeiro de 2012 a polícia militar invadiu o território onde se encontravam cerca de 1.600 famílias( entre 8 e 9 mil pessoas) indefesas e sem lugar para morar. Por mais absurdo que pareça a liminar do Governo Estadual, que ia contra a do Federal, aprovando a reintegração do terreno chegou cerca de dois dias depois da invasão da Polícia Militar. Invasão essa que se deu de forma totalmente violenta e humilhante. Relatos de abuso de autoridade policial, abusos sexuais e demonstração excessiva de força física vieram aos montes, testemunhas dizem ter sido espancadas e humilhadas pelos policiais.

            A Polícia afirma que cumpriu seu trabalho, mas todos sabem que não foi bem assim. O pior é que não se tem informações exatas sobre o número de vítimas e feridos, a PM cercou o local impedindo a entrada de jornalistas e da imprensa.

Muitos afirmam que essa foi uma situação de caráter ditatorial, onde não se garantiu a livre imprensa, nem os direitos humanos e muito menos o direito a uma moradia digna. Pode parecer um pouco exagero de minha parte, mas é crucial entender que a proibição de imprensa na história já foi razão em inúmeras vezes de revoltas e guerras civis. Quando estamos falando de proibição da palavra estamos contrariando inúmeros conceitos que nortearam nosso país por toda sua história, desde a criação de nosso Estado. E, além disso, nós brasileiros, sabemos o que essa proibição pode ocasionar, tendo em vista o golpe militar de 1964.

Portanto se faz necessário uma boa análise sobre a situação, principalmente por parte do governador de São José dos Campos, do governador de São Paulo, e principalmente da nossa presidenta Dilma Rousseff, que vai ter que explicar como uma imposição Federal foi substituída por uma ordem estadual, que foi responsável pelas atrocidades ocorridas em Pinheirinhos.